Abade Pierre

Publicado Janeiro 22, 2007 por Stella
Categorias: Sem categoria

 

 

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Fundador do movimento Emmaus.

 

Morreu no momento em que os poderes públicos querem tornar efectivo um princípio pelo qual se bateu durante a sua vida: o direito ao alojamento. Até ao crepúsculo da sua existência, defendeu os sem-abrigo e os desalojados. Em Janeiro de 2006, mesmo diminuído, tinha ido à Assembleia Nacional, opor-se aos deputados que queriam esvaziar, da sua substância, a lei que obriga várias centena de câmaras a construir alojamentos sociais nas respectivas áreas metropolitanas. O Abade Pierre morreu, segunda-feira 22 de Janeiro, às 5 h 25, no hospital de Val-de-Grâce, em Paris, onde tinha dado entrada oito dias antes. Tinha 94 anos.

Tipos de argumentos

Publicado Dezembro 6, 2006 por Stella
Categorias: Lógica

[1] Argumentos que garantem a verdade da conclusão, se as premissas forem verdadeiras

[1] Argumentos com mérito, particularmente agradáveis

1] Argumentos dedutivos válidos – atendendo à sua pretensão e atendendo à satisfação dessa pretensão

 

[2] Argumentos que não garantem a verdade da conclusão, mesmo sendo as premissas verdadeiras

[2.1] Argumentos com um mérito relativo pois, embora não garantam a verdade da conclusão (mesmo sendo as premissas verdadeiras), acontece que as premissas apoiam a conclusão no sentido de a tornarem plausível ou provável [2.1] Argumentos indutivos fortes [atendendo à satisfação da sua pretensão específica, a qual é mais modesta que a dos argumentos dedutivos]
Argumentos válidos [1]

Argumentos inválidos [2]

Argumentos (simplesmente) bons [1]

Argumentos relativamente bons [2.1]

Maus argumentos [2.2]

Argumentos dedutivos válidos [1]

Argumentos indutivos fortes [2.1]

Argumentos indutivos fracos [2.2.1]

Argumentos dedutivos inválidos [2.2.2]

 

Sobre argumentos indutivosUm argumento indutivo é, em termos gerais, um argumento que tem por base a pretensão de que as premissas apoiam a conclusão, mas não a pretensão de que a verdade das premissas garante a verdade da conclusão (como acontece no caso dos argumentos dedutivos).Em termos mais específicos um argumento indutivo é(i) um argumento que tem por base a pretensão de que, dadas as premissas, é (apenas) plausível ou provável a conclusão ser verdadeira (ou, igualmente, a pretensão de que, dadas as premissas, é (apenas) implausível ou improvável a conclusão ser falsa);(ii) um argumento que tem por base a pretensão de que, dadas as premissas, a plausibilidade ou probabilidade da conclusão é maior do que a da negação da conclusão. [A probabilidade envolvida nesta definição designa-se probabilidade condicional na terminologia do cálculo de probabilidades. A fórmula para o seu cálculo é Prob(a|b) = Prob(a & b) : Prob(b).]Se a pretensão é satisfeita, esses argumentos dizem-se normalmente argumentos indutivamente fortes (por vezes indutivamente válidos); se a pretensão não é satisfeita, dizem-se argumentos indutivamente fracos (por vezes indutivamente inválidos).

Teorias da verdade

Publicado Dezembro 6, 2006 por Stella
Categorias: Lógica

1. A teoria da verdade como correspondência : defende que a verdade de uma dada frase, proposição ou crença se deve à circunstância de essa frase, proposição ou crença corresponder a um certo estado do mundo ou realidade, concebido(a) como algo que é independente da mente ou da linguagem: caso o conteúdo de uma dada frase corresponda a um dado estado do mundo ou realidade, a frase será verdadeira; caso contrário, será falsa. Dificuldades : a) explicação do estatuto da realidade a que as frases, proposições ou crenças supostamente correspondem; b) inerente à própria noção de correspondência e ao modo correcto de conceber uma relação de correspondência entre frases, proposições ou crenças e estados do mundo.

 

2. A teoria pragmatista : postula que a verdade é a característica das frases ou proposições nas quais é útil acreditar. A verdade é, assim, definida em termos de utilidade, isto é, em termos daquilo que é desejável ou daquilo que tem consequências úteis ou agradáveis para aquele que crê na frase, ou proposição, tida por verdadeira. Dificuldades : a) saber como é possível medir a utilidade das crenças; b) como fazê-lo evitando simultaneamente o relativismo; c) ao conectar a verdade com a utilidade, a teoria situa a noção de verdade no cerne de uma teoria da acção, assumindo que a crença verdadeira contribuirá para o êxito das acções, tornando-as, assim, úteis ou agradáveis. Ora, é contra-intuitivo que seja possível a cada agente determinar, em relação ao futuro, as consequências das suas acções (e a correlativa utilidade e agradabilidade), o que parece trazer dificuldades a uma teoria que faça delas depender um critério de verdade de crenças. (A teoria está intimamente ligada às éticas utilitaristas da escola americana – Peirce, James e Dewey.)

 

3. A teoria deflacionista : postula que a verdade não é uma propriedade genuína das frases e que a consideração da verdade enquanto propriedade de frases resulta de uma mera confusão linguística. A confusão a que aludem os seus defensores resulta do nosso uso habitual do predicado « é verdadeiro », que nos induz erradamente a concebê-lo como uma descrição de uma propriedade das frases (nomeadamente, a propriedade de serem verdadeiras ou falsas), quando, provavelmente, não lhe cabe mais do que o papel de enfatizar a aprovação ou assentimento do locutor a essas mesmas frases (isto é, como se fosse outro modo de dizer «concordo que…» ou de acenar com a cabeça para indicar anuência). Variantes : a teoria verificacionista, a teoria descitacionista, a teoria de verdade como redundância ou a teoria de verdade de Tarski, e as considerações produzidas por autores continentais acerca do tópico (por exemplo, a teoria de verdade como desvelamento, de Heidegger). Dificuldades : a maior objecção à teoria funda-se em contra-exemplos perante os quais é difícil sustentar que a função de expressão « é verdade que p » seja apenas enfatizar a aprovação de p, parecendo o predicado, pelo contrário, deter algum papel semântico adicional, como no exemplo ” Todas as frases em que acredito são verdadeiras “.

 

4. A teoria coerentista : Considerando que as proposições são 1.º) aquilo que é objecto de crença e 2.º) as entidades portadoras de valores de verdade, os seus defensores sustentam que a verdade de uma proposição consiste na sua coerência com um certo conjunto especificado de proposições. Numa formulação um pouco mais técnica, a teoria coerentista defende que – Uma proposição P é verdadeira se, e somente se, é coerente com um conjunto especificado (C) de proposições. Dificuldades : a) saber como a coerência pode garantir o acordo com a realidade. Imaginemos que há justificação para acreditar numa dada proposição, mas que essa proposição é falsa (obviamente, à luz de outro critério que não o proposto pelos coerentistas). Estaríamos, assim, em presença de uma crença numa proposição falsa justificada, uma circunstância indesejada por um defensor da teoria coerentista como teoria de verdade; b) as crenças dizem-se coerentes em função das relações internas que os objectos a que respeitam supostamente mantêm entre si; mas a suposição de que os objectos mantêm entre si uma relação interna é igualmente uma crença. Assim, a coerência não se funda nos estados do mundo, como era suposto, mas numa crença na qual é coerente acreditar. Ora, isto é claramente circular.

 



 

Há dois aspectos que contrastam a teoria coerentista com a sua suposta rival teoria da correspondência :1. Em primeiro lugar, fornece uma explicação difer ente da relação entre as proposições e as suas condições de verdade – na teoria coerentista essa relação é de coerência; na teoria correspondentista a relação é de correspondência. 2. Em segundo lugar, a teoria fornece uma explicação diferente das próprias condições de verdade das proposições – na teoria coerentista, as condições de verdade de uma proposição são outras proposições; na teoria correspondentista, as condições de verdade das proposições são condições objectivas do mundo.

Leitura(s)…

Publicado Dezembro 6, 2006 por Stella
Categorias: Leitura(s)

Sanches, Manuel, Donald Davidson – Acerca da correspondência, coerência e cepticismo, Lisboa, Ed. Angelus Novus, 2000.

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Davidson e a justificação da verdade

Este livro traz-nos uma sóbria e rigorosa apresentação, por mão de Manuel Sanches, do pensamento de Donald Davidson (n.1917), um dos nomes incontornáveis da filosofia norte-americana do séc. XX, autor de vários conceitos e teses de relevo em domínios como a teoria da linguagem, a filosofia da mente, a teoria da decisão e a teoria da crença. M. Sanches não se abalança, porém, a uma apresentação integral de Davidson, antes focando a atenção em três pontos, entre si relacionados, e que subintitulam o presente estudo – os problemas em torno da correspondência e da coerência, no quadro de uma investigação filosófica sobre a verdade, e o problema da possibilidade de um cepticismo global acerca da verdade das nossas crenças.O ponto de partida de M. Sanches reside na tese davidsoniana de uma indefinibilidade da verdade, ou seja, de não ser possível obter-se uma definição de verdade que não pressuponha já, circularmente pois, a própria noção de verdade. Nesse sentido, é percorrido o panorama das diversas teorias filosóficas da verdade existentes – desde as teorias da correspondência (seja por congruência seja por correlação), as teorias da coerência, as teorias pragmatistas, semânticas e deflacionistas – para nelas encontrar esta mesma dificuldade. A propósito do correspondentismo em particular, afirma M. Sanches: “dizer que uma frase ou uma crença é verdadeira quando corresponde aos factos, não acrescenta nada à ideia de verdade”. Poder-se-ia ser conduzido a pensar então que, no que respeita à verdade, Davidson nada concluiria senão um “mais vale calarmo-nos”. No entanto, longe disso, desta forma Davidson simplesmente inaugura a sua própria abordagem ao tópico da verdade.Tratar-se-á, primeiramente, como salienta M. Sanches, de distinguir entre dois âmbitos teóricos, um metafísico outro epistémico, os quais se deixam intuir pelo tipo de perguntas que associamos a cada um deles: ao primeiro a pergunta “ o que é a verdade? ”, ao segundo a pergunta “ sob que condições aceitam os certa frase ou crença como verdadeira? ”. De acordo com Davidson, é possível responder à segunda destas questões mesmo não se dispondo de nenhuma boa resposta para a primeira. Donde que distinga entre “ teorias da verdade ”, como as atrás enumeradas, e “ teorias da justificação da verdade ”; e que, não obstante a indefinibilidade da verdade, nos proponha uma teoria epistémica “acerca das razões que podemos ter para aceitar certas verdades como tal”.Tratar-se-á, em segundo lugar, de apresentar a proposta davidsoniana da teoria da coerência como teoria da justificação da verdade. “ O seu objectivo, – explica M. Sanches –, é mostrar que há uma presunção a favor da verdade de uma crença quando esta é coerente com um agregado significativo de outras crenças”. No entanto, com isto não está em causa uma discussão do que seja a verdade, mas tão-só da sua justificação e do modo como a construímos – Davidson não está, pois, disposto a ceder no ponto relativo à independência da verdade face às nossas justificações e construções. Donde não se perder de vista a realidade como horizonte último da verdade; simplesmente, não é nesta que fundamos as nossas justificações da verdade. Nas palavras de M.Sanches, “A tese coerentista que Davidson defende é a de que a única razão para sustentar uma crença é outra crença”. Em suma, se Davidson apenas admite uma teoria epistémica a propósito da verdade, é porque não nos é possível formular adequadamente uma teoria metafísica da verdade e não porque a verdade se reduza a uma perspectiva meramente epistémica (na linha, por exemplo, de um Richard Rorty).Além desta teoria coerentista da justificação da verdade, Davidson avança duas importantes ideias a respeito das crenças e desejos dos sujeitos humanos e do modo como entre eles é possível estabelecer-se uma relação de interpretação. Por um lado, e na sequência do coerentismo de justificação, a ideia de que as nossas crença e desejos são holísticos – “cada interpretação deverá suportar e ser suportada pelas outras interpretações que fazemos do pensamento e da acção de uma pessoa”; Por outro lado, a ideia de que, além de holísticos, são também racionais – “crenças e desejos só podem ser atribuídos a agentes racionais”. A partir destes dois aspectos, do holismo e da racionalidade, Davidson formula o que designa por “princípio de caridade”, a saber, que a capacidade de um falante interpretar um outro falante pressupõe que o intérprete considere a maioria das crenças do sujeito interpretado como verdadeiras ou ao menos como estando de acordo com as suas próprias crenças. De outra forma, a interpretação não seria possível.É neste quadro que Davidson elabora uma teoria da interpretação, que M.Sanches resume afirmando: “ Segundo esta teoria, o significado de uma frase depende das suas relações com outras frases; essas relações devem ser, na sua maioria, as de consistência, coerência e racionalidade. Um intérprete deve considerar o objecto da sua interpretação, na sua maior parte, verdadeiro, de acordo com os seus próprios padrões. Isto é, deve interpretar de modo a maximizar a coerência das suas crenças e das crenças do interpretado.”Naturalmente, poder-se-á objectar que esta teoria da interpretação não garante nem a verdade da crença nem a infalibilidade da interpretação, abrindo assim caminho para um cepticismo. É que a coerência não é incompatível com a falsidade. Contudo, Davidson sustenta que a coerência dos nossos sistemas de crença é capaz de gerar uma efectiva correspondência, reatando o laço com a realidade propriamente dita. Para isso concorre uma das suas teses mais controversas, a de que o conteúdo das nossas crenças seria determinado pela sua causa exterior (Teoria causal da crença), pelo que as crenças seriam intrinsecamente verdadeiras. M. Sanches dá conta da controvérsia expondo tanto os argumentos de Davidson como os dos seus críticos (Ernest Sosa, Colin McGuinn e P. Kein) num debate que permanece inteiramente actual e longe de estar concluído.


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